Pedagogia

"A Educação é a arma para libertar a humanidade e livrá-la do sofrimento causado pela ignorância e outros males sociais." "A Educação é a única e mais poderosa ferramenta para capacitar o ser humano para a vida." "A escola não existe para os professores, e sim para os alunos." Tais citações são algumas das diretrizes do meu Mestre, Daisaku Ikeda. Acredito que o ato de educar decorre do acordo entre os sujeitos, todos aprendentes, em prol do autoaprimoramento.

A importância de ler - Psicologia da Aprendizagem

Por Julio César da Silva, Claudete Ribeiro Freitas Monteiro e Eunice Gomes Mancio Gervásio - Pedagogos pela FISA, turma de 2011, com a orientação de Patrícia Segura, Coordenadora do Curso.

Recomendamos, pelas razõs expostas a seguir, aos colegas que pretendem iniciar-se na descoberta do prazer da leitura em sua área de atuação e de necessária formação continuada, o livro de Dinah Martins de Souza Campos, Psicologia da Aprendizagem, Editora Vozes, 2007.


Esse livro considera facilitar aos alunos o estudo dos processos psicológicos da aprendizagem, contribuindo sobremaneira para a formação do pedagogo, ao tratar com especificação didática algumas das teorias de aprendizagens e dar importantes dicas para o acesso às demais, introduzindo os conceitos das principais correntes e abordagens sobre o assunto.
A relação entre ensino aprendizagem, se considerada como aspecto fundamental dos estudos do Curso Pedagogia, necessita de tal abordagem teórica sobre aprendizagem; o livro escolhido possibilita rediscutir a prática docente ao incitar-nos às reflexões dele decorrente.
Extraimos da obra algumas citações e delas propomos algumas assertivas à prática pedagógica.
Claudete Ribeiro Freitas Monteiro menciona
 “O Professor deve vivenciar os ideais, atitudes e valores que deseja cultivar nos alunos; o Professor impulsivo não pode inculcar nos alunos o valor do domínio de si mesmo, deve oferecer oportunidades para as reações afetivas do aluno; para isso convém preparar as situações em que um sentimento de agrado se uma à reação desejada na aprendizagem” (op.cit, pág.71)

Comenta em refletida inferência que “Um Professor, que não expressa em seus comportamento as atitudes que deseja formar nos alunos, não poderá esperar alcançar os objetivos visados.”. Continuando, Claudete afirma que “Não basta explicar bem a matéria que ensina e exigir que o aluno aprenda, é necessário despertar a atenção do aluno, criar nele interesse pelo estudo, estimular seu desejo de conseguir os resultados visados mediante tarefas progressivas.” Destaca, a seguir, outro trecho, validando sua perspectiva:

“É preciso cultivar nos alunos o gosto pelo trabalho escolar, motivar a aprendizagem do aluno, pois a motivação é de suma importância para o ser humano” (op.cit, pág.105)

Reflete que “Incentivar é despertar o interesse e a atenção dos alunos pelos valores contidos na matéria ensinada, criando nos mesmos o desejo de aprendê-la, o gosto de estudá-la e a satisfação em cumprir as tarefas que a mesma exige.” Tal aspecto é salientado na obra em questão, na passagem

“Para que os alunos realizem o esforço de estudar e aprender, será necessário que encontrem na matéria significado e valores que dêem sentido a tal esforço e justifiquem, pscicologicamente, o dispêndio de suas energias físicas e mentais.” (op.cit. pág.112)

Eunice Gomes Mancio Gervasio extraiu da sua leitura do livro que “As relações sociais do professor com seus alunos, sistema de provas, as tradições de severidade ou não do julgar as atividades, exercem influência de motivos de segurança e, assim, incentivam, inibem ou desorganizam atitudes favoráveis à aprendizagem”; tal afirmação decorre do Livro em tela, na frase

“Em relação a esse problema, Briggs realizou uma extensa investigação entre alunos universitários norte americanos, analisando as relações gerais do professor e os modos de manifestar-se sobre o trabalho dos alunos” (op.cit. pág.124)

Eunice salienta, ademais, que “Alguns destacam-se pela facilidade de aprender e outros pela dificuldade”, considerando para tal o trecho

“Os professores estão acostumados a verificar, em suas classes, como seus alunos diferem entre si, nas aptidões mentais, nas reações emotivas, no esforço empregado em suas tarefas, na preferência por certas atividades e, especialmente, na capacidade para aprender.”. (op.cit. pág.142)

“Entretanto”, afirma Eunice, “as circunstâncias extra-classe de cada aluno influenciam o comportamento em sala e seu aproveitamento nos estudos, trazendo essas aptidões ou níveis de aptidões, por vezes, de seus lares.” A afirmação do livro da qual suscitou esse pensamento é

Contudo, é interessante lembrar que não constitui tarefa muito simples descobrir as condições do lar que determinam os comportamentos da criança. Quando o professor não consegue descobrir as causas das dificuldades do comportamento do aluno deve encaminhá-lo aos orientadores ou psicólogos para que procedam ao estudo do caso, recomendado pela Psicologia Clínica.” (op. cit. pág. 151)

Julio Cesar da Silva destaca que “A dimensão da aprendizagem se dá na mesma proporção que a de interesse e de sentimento de pertencimento do aluno e do professor, onde ambos devem estar imbuídos com o propósito de tornar eficaz a relação ensino aprendizagem, calcados na mediação e relação de respeito.” encontra tal perspectiva na passagem

“Na interpretação de uma situação escolar, cada professor e cada estudante é considerado uma pessoa-e-seu-ambiente-psicológico. A função peculiar do professor é, simplesmente, implementar o desenvolvimento de úteis insights nos estudantes, a fim de ajudá-los a se tornarem personalidades mais adequadas e harmoniosas, isto é, mais inteligentes. Para realizar sua missão, um professor necessita uma compreensão básica da estrutura e da dinâmica dos espaços vitais” (op. cit. pág. 230)

Considerando as diferentes apropriação e saberes e avanços de cada aluno, Julio observa “Cada aluno possui ritmo próprio na aprendizagem e sua assimilação, por vezes devolvendo ao mundo os saberes já modificados em razão de suas construções mentais próprias.” Tal assertiva é decorrente de um trecho onde consta:

“Entre as diferenças existentes entre os indivíduos, as que mais interessam à aprendizagem e à educação são as relativas a: desenvolvimento físico, desenvolvimento mental, maturidade emocional, maturidade social, motivações pessoais, experiências anteriores, interesses e preferências e capacidade geral para aprender” (op.cit. pág. 147)

No início do livro, ainda no capítulo I, Julio observou que “Algumas aprendizagens ocorrem, em comunidades tribais e mesmo nas ditas ‘civilizadas’ em razão de rodas de conversação ou ambientes espontâneos; entretanto, a sistematização de ambientes, de momentos e espaços destinados a aprendizagens são causas para a afirmação de uma cultura.” Assim, destaca um trecho relevante:

“Através dos séculos, por meio da aprendizagem, cada geração foi capaz de aproveitar-se das experiências e descobertas das gerações anteriores, como também, por sua vez, ofereceu sua contribuição para o crescente patrimônio do conhecimento e das técnicas humanas. Os costumes, as leis, a religião, a linguagem e as instituições sociais têm-se desenvolvido e perpetrado, como um resultado da capacidade do homem para aprender” (op.cit. pág. 15)

Dessa abordagem introdutória, aponta Julio, considerando assim a aprendizagem como processo social e, como processo havido a priori interiormente, constrói-se a Psicologia da Aprendizagem, defendida com eficiência pela autora no decorrer do Livro e explicitada, já em seu prefácio, como

“(...)A Psicologia da Aprendizagem vem aparecendo nos currículos de vários tipos de curso e ao ministrar minhas aulas, nesse campo da Psicologia, senti a necessidade de um livro, em língua portuguesa, destinado a oferecer ao estudante um panorama inicial do fenômeno da apredizagem. (...) isto e, facilitar aos alunos o estudo e aos professores o ensino das primeiras noções relativas à Psicologia da Aprendizagem, foi que decidi reunir neste despretensioso livro os sumários que preparei para a orientação do trabalho que venho realizando, no ensino desse ramo da psicologia.” (op. cit. pág.7)

Eis que, em conclusão, o acesso às informações que nos trazem o citado Livro representa um componente importante na formação do professor, com vistas à compreensão inicial necessária aos estudos dos processos cognitivos, pois dele surgem reflexões e saberes necessários à prática pedagógica. Portanto, recomendamos com veemência tal livro para o desenvolvimento do hábito da leitura do professor, seja ele em formação inicial ou continuada.

Referencial Bibliográfico

CAMPOS, D.M.S. Psicologia da Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2007.

Um comentário:

  1. Julio

    Me deixa muito feliz saber que pessoas partilham a mesma idéia que tenho sobre a leitura. Descobrimos o mundo no sofá de casa. O livro escolhido por vocês é maravilhoso, mas mais maravilhosa é a compreensão da importância do ato de ler para nosso crescimento pessoal.
    Bjs
    Obrigada pela parceria

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Muito obrigado!